Eu não tinha muito o que fazer, mas era cheia de ideias e devaneios. Eu queria crescer em algo, ser maior numa coisa que a idade não impedisse, chegar à frente de uma vez. Não escolhi escrever, as mãos é que decidiram traçar letras ao invés de curvas que formassem desenhos. Não comprei pincéis, isso dificultou a pintura. Eu quis dançar, mas não tinha ritmo, então desisti da música. Literar foi o que me restou. Poetizar. Prosear. Contar. Narrar. Eu nem sabia muitas diferenças entre esses verbos, pouco conjugava no papel.

    Pensar e formar letras é totalmente diferente de sentir e transmitir esses sentimentos em palavras. Quando eu aprendi essa segunda coisa, quis que todos vissem coisa tão magnífica. Como uma criança que se equilibra em um galho firme da árvore ou solta as mãos da bicicleta e grita: Olha mãe, o que eu consigo fazer! 

    No dia vinte e um de janeiro de dois mil e dez eu quis ter mais. Fiz um blog. Pesquisei tanta coisa, pois sempre temi fazer feio, queria que fosse algo bem bonito e passou por inúmeras cores, fontes, tamanhos e jeitos. A ortografia? Descuidada. O andamento dos textos? Sem rumo, desandados. Mas eu ia seguindo, lia e escrevia, escrevia mais que lia, ria mais que chorava, mas no tempo de mais choro foi que a inspiração veio de vez. 

    Eu li muitos outros blogs. Fui descobrindo mundos e queria um mundo só pra mim. A vontade era mais ávida a cada dia. Desculpa se a história vai ficando muito extensa sem chegar no que isso é agora. As coisas da vida são assim quando relembramos o passado. 

    Quase cinco anos se passaram e cá estou em um blog desconhecido, mas com pitadas de carinho em cada canto. Esse lugar já passou por várias mudanças, já teve outros nomes e cores, outros textos e prosas, outras poesias... Mas sempre foi o mesmo diário compartilhado qual eu sonhei desde o início e sempre foi um belo refúgio meu. Eu me sinto orgulhosa em ainda tê-lo e cuidá-lo, talvez seja a coisa que mais guardei e me apeguei nesses últimos anos e talvez seja o cantinho onde eu mais (senão o único) demonstrei meus sentimentos. Escrever desde o início foi o meu sonho e eu estive alimentando-o por todos esses dias. 

    Melhorei muito, mas um escritor nunca chega ao ponto final. Está sempre em vírgula bamba. Assim eu sigo com meus textos, postagens, lapidações de ideias escritas.



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